Na era da tecnologia, a principal inovação é, e sempre será, o professor

Por: Pedro Annunciato

O cultivo das relações humanas para criar um ambiente escolar capaz de educar cidadãos para o século 21 é o tema de destaque da Transformar Educação 2017.

Investir cada vez mais nas relações humanas, na força do coletivo e na crença de que todos são capazes. Mesmo quando o debate é focado em inovação e tecnologia na sala de aula, o caráter humano não deixa de ser fundamental na Educação. E o responsável por canalizar isso continua sendo o professor.

Essa foi a grande mensagem da quarta edição do Transformar, um dos principais eventos de inovação em Educação do país, realizado no dia 04/09/2017, em São Paulo. Organizado por Inspirare, Porvir, Instituto Península e Fundação Lemann, mantenedora da Associação Nova Escola, a conferência reuniu especialistas e educadores do Brasil e do mundo para apresentar suas experiências na área.

Logo na abertura, cinco alunos brasileiros fizeram uma roda de conversa em que falaram sobre como imaginam que a escola deva ser. Em todas as falas, reivindicaram mais espaço para o diálogo e o desenvolvimento da cidadania, que vai além do preparo para a vida profissional. “Desde pequeno dizem que você tem que ir para a escola para ser ‘alguém na vida’. As pessoas têm que ter sonhos e objetivos, mas não é só isso. Eu não sou um robô, eu sou um ser humano”, disse Arthur Rezende, 16 anos, aluno da EE Irmã Laura de Martins Carvalho, em Canaã dos Carajás (PA).

Questionados pela plateia sobre a reforma do Ensino Médio, os adolescentes criticaram a proposta. Ana Clara Cabral Nunes, 14 anos, aluna do Colégio Estadual do Paraná que participou das ocupações de escolas públicas no estado ano passado, reclamou da postura do governo: “Houve discussões, o movimento estudantil se rebelou, e mesmo assim não foi ouvido”.

A força das relações

O uso de jogos, o estímulo à participação, a aprendizagem na prática e as preocupações com meio ambiente e sustentabilidade foram alguns dos assuntos abordados, sempre enfatizando o papel do desenvolvimento das relações humanas no êxito de qualquer projeto pedagógico. “Educação não se faz com apenas duas mãos. É preciso o engajamento de muitos”, defendeu Greiton Toledo de Azevedo, professor de Matemática da EM Irmã Catarina Jardim Miranda, em Goiânia, um dos palestrantes do evento. Greiton foi um dos vencedores do Prêmio Educador Nota 10 de 2016, com um projeto de programação de games.

Um dos destaques do dia foi a experiência da Leadership Public Schools, uma escola de Ensino Médio em São Francisco (EUA) que prioriza o atendimento a jovens mais pobres e de baixo desempenho escolar. Michael Joseph De Sousa, diretor da instituição, conta que o foco do trabalho é manter, em todas as aulas e espaços da escola, um diálogo motivador constante. Michael explica que os professores e gestores – inclusive ele – procuram estabelecer uma relação próxima com os alunos. “A semente para uma escola incrível é cultivar altíssimas expectativas em relação aos alunos”, disse. “Uma aluna dizia, chorando: ‘esta é a primeira escola em que acreditam que eu possa ser grandiosa’.”.

O papel do professor

As experiências apresentadas confirmam outra tendência em novos modelos educacionais: uma relação cada vez mais horizontal entre alunos e professores. “Os dispositivos de tecnologia não servem para substituir o trabalho do professor, e sim como um apoio”, afirmou o holandês Maurice de Hond, dono da Steve Jobs School, ao participar da mesa sobre as transformações que a revolução digital provoca no ensino.

Para Nico Janik, coordenadora de engenharia do Distrito Escolar de Ravenswood City Makerspaces East Palo Alto (EUA) e entusiasta da aprendizagem mão na massa, o docente precisa estimular a busca pelo conhecimento. “O movimento maker procura estimular nossos alunos a serem não só consumidores, mas criadores de inovação.”

É por isso que apenas tornar a aula mais divertida não basta. Ao mencionar as razões que justificam a aplicação de games ao ensino, o uruguaio Gonzalo Frasca, designer da produtora de jogos de álgebra e geometria WeWantToKnow, lembrou que o objetivo de uma aula não é simplesmente entreter o aluno. “Professores não são palhaços. O oposto de ficar entediado não é se divertir, é enfrentar desafios.”

No encerramento, Nick Kim, diretor-executivo há quatro anos da unidade de Ensino Médio Summit Tahoma, em San Jose, na Califórnia Summit High School (EUA), enfatizou o que considera a regra de ouro do docente. “Para o sucesso do aprendizado, todos os professores precisam acreditar que os alunos são capazes. Se você não conhece o seu aluno, você não conhecerá seus limites e não saberá até onde ele pode chegar.”

Fonte: novaescola.org.br



Deixe um Comentário

Seu e-mail não aparecerá no comentário. Os campos obrigatórios estão marcados com (*).

Você pode usar estas tags e atributos em HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>